DIABETES: ENTENDENDO A DOENÇA FICA MAIS FÁCIL TRATAR!

Dr. Denise Mazo Orlandi - Endocrinologista - CRM 133.812


O número de indivíduos diabéticos está aumentando em virtude do crescimento e do envelhecimento da população. Estima-se que até 2030, teremos 300 milhões de adultos com diabetes no mundo. Vemos também maior incidência de diabetes tipo 1, especialmente em crianças menores de 5 anos.

Diabetes Mellitus (DM) não é uma única doença, mas um grupo de distúrbios metabólicos que apresenta em comum a glicemia alta, o que se deve a defeitos da secreção de insulina, na ação da insulina ou ambos.

A classificação proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela Americam Diabetes Association (ADA) e pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) inclui 4 classes clínicas: DM tipo 1; DM tipo 2; DM Gestacional e outros tipos específicos de DM (formas menos comuns, relacionadas a alterações genéticas, a doenças do pâncreas, a infecções ou até induzidas por algumas medicações). Há ainda 2 categorias referidas como pré diabetes, que são a glicemia de jejum alterada (acima de 100mg/dL) e a intolerância à glicose (quando a glicemia de jejum está normal, mas a glicemia pós alimentação está alta) que são alterações iniciais da doença, que já aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

Na atualidade, a prevenção do DM1 não tem base racional, no entanto as intervenções em estilo de vida, com ênfase em alimentação saudável, pratica de atividade física, abandono do tabagismo e o bom controle de pressão arterial, do colesterol e do peso são medidas que reduzem a incidência do DM tipo 2.

O controle do DM tipo 2, geralmente se baseia em medicação oral, deixando a insulina reservada para situações mais especificas. No entanto, para esse tipo de DM, o hábito de vida saudável é considerado o tratamento de primeira escolha em grande parte dos pacientes. Ai se incluem 150 minutos de atividade física por semana, parar de fumar e seguir uma dieta saudável:

- carboidratos e gordura monoinsaturada devem juntos perfazer 60 a 70% da ingestão energética; dar preferência aos carboidratos oriundos de leguminosas, hortaliças, grãos, frutas e leite desnatado
- ingestão de proteínas não deve ser reduzida, dando preferencia a peixes, frango sem pele, carnes magras sempre cozidos ou assados/grelhados
- consumir fibras
- evitar gordura trans ou saturada
- ingestão limitada de álcool (1 dose/dia para mulheres e 2 doses/dia para homens)
- consumo limitado de sódio
- adoçantes são seguros, mesmo na gestação

Em relação ao DM tipo 1, a destruição progressiva das células do pâncreas produtoras de insulina pode levar meses ou até anos, resultando na incapacidade de sua produção. Assim, o tratamento se restringe ao uso de insulina, que é aplicada diariamente e requer controle da glicemia mais rígido. Atualmente, temos diversas insulinas disponíveis, de modo a conseguirmos combinações variadas individualizadas para cada paciente. O controle do DM tipo 1 requer envolvimento familiar e suporte medico, psicológico e nutricional.

Por fim, Diabetes Gestacional é quando ocorre intolerância à glicose detectada durante a gestação. Ocorre entre 3 e 13% das grávidas, sendo mais comum em mulheres acima de 35 anos, obesas e que tem historia familiar de diabetes. Na primeira consulta do pré natal, deve ser solicitada a glicemia de Jejum e depois o teste de tolerância oral (curva de glicemia) será feito entre a 24ª e a 28ª semanas de gestação. Em geral, uma dieta adequada e atividade física são suficientes para o controle da glicemia na gestação. Porém, há casos que não se normalizam e vão necessitar de insulina até o parto.