HIPOTIROIDISMO – A MAIS COMUM DAS DISFUNÇÕES TIROIDIANAS

Dr. Denise Mazo Orlandi - Endocrinologista - CRM 133.812


A função da glândula tiroide é regulada pelo hormônio estimulador da tiroide (TSH), que é sintetizado e secretado pela hipófise. O hipotiroidismo se refere a uma diminuição da produção dos hormônios da tiroide, o que provoca aumento nos níveis de TSH, de modo transitório ou permanente.

A causa mais frequente do hipotiroidismo é a tireoidite autoimune crônica (tiroidite de Hashimoto). No entanto, ele também pode ser associado a outras condições: tratamento do hipertiroidismo, pós-parto, doenças infiltrativas ou infecciosas, radioterapia externa, defeitos funcionais na biossíntese e liberação dos hormônios tiroidianos ou defeitos congênitos.

Tanto a deficiência como o excesso de iodo são causas bem reconhecidas de hipotiroidismo primário, assim como o uso de certos fármacos, que incluem agentes antitiroidianos: lítio, amiodarona, químicos bociogenicos naturais e sintéticos.

O intervalo normal de valores de TSH em indivíduos livres de doença da tiroide tem sido tradicionalmente aceito como 0,45-4,5 mU/L. A repetição do TSH é importante para descartar aumentos transitórios de TSH, variabilidade intraindividual ou erros bioquímicos. Entre os valores de 4,5 a 10 mU/L, a possibilidade de mudança do TSH para níveis séricos normais e elevada.

Condições clínicas a serem consideradas para avaliação tiroidiana:
  • Mulheres na idade fértil ou mais idosas, especialmente acima de 60 anos
  • Mulheres grávidas
  • Tratamento anterior de radiação da tiroide (iodo radioativo ou radiação terapêutica externa)
  • Cirurgia tiroidiana ou disfunção tiroidiana prévia
  • Diabetes mellitus tipo 1
  • História pessoal de doença autoimune (vitiligo, síndrome de Sjögren, lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide)
  • Síndrome de Down
  • Síndrome de Turner
  • História familiar de doença tiroidiana
  • Presença de bócio e/ou positividade para ATPO
  • Sintomas clínicos de hipotireoidismo
  • Uso de drogas como lítio, amiodarona, interferon alfa, sunitinib e sorafenib
  • Hiperprolactinemia
  • Dislipemia
  • Anemia
  • Insuficiência cardíaca

Em alguns casos, o ultrassom da tiroide é necessário e alguns outros exames mais específicos serão solicitados.

Como os sintomas são, na maioria, inespecíficos e comuns a outras patologias, o diagnóstico laboratorial é imperativo.

O tratamento é simples, tratando-se de uma reposição hormonal. Usamos o próprio hormônio tiroidiano, sinteticamente elaborado. A dose ideal para a reposição varia de acordo com o peso, com o grau do hipotiroidismo e com o estado clínico do paciente ao diagnóstico. Nos casos permanentes, a reposição será feita por toda a vida, sempre com o seguimento clinico e laboratorial para constante avaliação da dose.