A ELEVAÇÃO DO HORMÔNIO PROLACTINA

Dr. Denise Mazo Orlandi - Endocrinologista - CRM 133.812


A hiperprolactinemia (aumento dos níveis de prolactina no sangue) é achado laboratorial frequente, com incidência de 1 a 10% na população geral. A dosagem de prolactina está indicada na investigação de mulheres portadoras de alterações menstruais, galactorréia (saída espontânea de secreção dos seios, como leite) ou infertilidade e nos casos de diminuição da libido, disfunção erétil, ginecomastia e infertilidade em homens. Também está indicada na investigação de tumores da região selar (hipófise).

O uso de estrogénio, por meio dos anticoncepcionais orais, também pode ocasionar hiperprolactinemia, sendo esta reversível após a suspensão do medicamento. Além disso, algumas medicações para tratamentos psiquiátricos e mesmo o estresse do dia a dia podem causar elevações na dosagem de prolactina.

É importante que o exame seja colhido num bom laboratório, pois o repouso antes da coleta de sangue às vezes é fundamental e alguns interferentes do próprio exame podem alterar a dosagem deste hormônio. Muitas vezes, repetir o exame é necessário para afastarmos erro laboratorial, interferências na coleta e alterações emocionais do paciente.

Geralmente os níveis da prolactina têm relação com a causa: níveis até 100 ng/ml estão mais associados a medicamentos psicoativos, estrógenos e, mais raramente, microprolactinomas; níveis acima de 200 ng/ml estão, em geral, associados a prolactinomas – tumores benignos da hipófise, produtores de prolactina.

Estabelecida a causa do aumento dos níveis de prolactina, partimos para o tratamento, se necessário. Algumas medicações tem grande sucesso na normalização dos níveis deste hormônio como a bromocriptina e a cabergolina, sempre devendo ser indicados pelo endocrinologista e com acompanhamento clinico e laboratorial.

Na abordagem dos prolactinomas, o tratamento medicamentoso geralmente apresenta uma eficácia superior ao tratamento cirúrgico, sendo este reservado apenas a casos isolados.