A SÍNDROME METABÓLICA

Dr. Denise Mazo Orlandi - Endocrinologista - CRM 133.812


Podemos considerar a obesidade uma síndrome, pois se associa não apenas com alterações metabólicas (aumento do colesterol e triglicérides, presença de gordura no fígado), mas também a disfunções psicossociais (diminuição da autoestima, discriminação social - bullying, afastamento das atividades sociais e depressão), alterações no crescimento em crianças, complicações cardiovasculares (aumento da pressão arterial, do tamanho do coração), alterações ortopédicas e dermatológicas (micoses, estrias, dermatites).

Múltiplos fatores são responsáveis pelo desenvolvimento da obesidade, sendo, portanto, uma doença de difícil tratamento. Sabemos que existe uma predisposição genética para o acúmulo de peso, mas o que vemos atualmente como grande causador da obesidade é estilo de vida moderno: o apelo comercial por alimentos mais calóricos e a vida sedentária. Nas últimas décadas, crianças e adultos ficam mais tempo à frente da televisão e do computador, com hábitos alimentares inadequados (alimentos calóricos e gordurosos), além de se exercitarem pouco.

O acúmulo de tecido gorduroso, particularmente no abdome, leva à produção de uma série de substâncias que interferem com a ação da insulina. A gordura funciona como uma barreira, inibindo a ação da insulina, e aumentando a resistência à entrada de glicose na célula.

Por outro lado, a perda de peso contribui para melhorar a pressão arterial e melhorar o colesterol, diminuindo assim os riscos de doenças cardiovasculares.

A mais favorável medida de massa corporal tradicionalmente tem sido o peso isolado ou peso ajustado para a altura (IMC). Mais recentemente, tem sido notado que a distribuição de gordura é mais preditiva de saúde.

O IMC é um bom indicador, mas não totalmente correlacionado com a gordura corporal (não distingue massa gordurosa de massa magra, não reflete, necessariamente, a distribuição da gordura corporal). A medida da distribuição de gordura (clinicamente avaliada pela circunferência abdominal, relação cintura/quadril e até medida das pregas cutâneas) é importante na avaliação de sobrepeso e obesidade porque a gordura visceral (intra-abdominal) é um fator de risco potencial para a doença, independentemente da gordura corporal total. A combinação de massa corporal e distribuição de gordura é, provavelmente, a melhor opção para preencher a necessidade de uma avaliação clínica.
Para definir a síndrome metabólica, 3 ou mais dos fatores de risco abaixo são necessários:

Fatores de RiscoValores que Definem Síndrome Metabólica
Circunferência Abdominal> 94 cm para Homens e >8O cm para Mulheres
Glicemia em jejum>100 mg/dL
HDL< 40 para Homens e < 50 para Mulheres
Triglicérides>150 mg/dL
Pressão Arterial> 130/ > 85 mmHg

Mudar os hábitos alimentares (incluir frutas, verduras e legumes; reduzir o consumo de açúcar e farinha branca presentes em doces, pães, tortas e massas em geral; evitar refrigerantes e bebidas alcoólicas) e investir num estilo de vida saudável é a maneira mais eficaz de atuar contra a obesidade, principalmente nos pacientes diabéticos. Realizar atividade física diariamente é indispensável para a manutenção ou perda de peso, além de ser prazeroso.